O modesto

French

Le modeste

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Portuguese

O modesto

Para nascer, lugar não falta
Há quem o faça em Roma, Ialta,
Paracatu ou Budapeste.
Seu nascimento o apanhou
Ao pé do Cristo Redentor,
Ele é modesto.

Como uma vez o fez um rei,
Ele é capaz também, eu sei,
De dar seu reino e todo o resto
Por um cavalo marchador,
Um pangaré sem mais valor,
Ele é modesto.

Com os seus óculos escuros,
Se escapa sempre de dar duro
Como quem foge de uma peste,
É que seu tão hercúleo braço
Traria aos outros embaraço,
Ele é modesto.

Quando ele perde na canastra,
Não te surpreendas se te afasta
Ou, porventura, ele protesta.
Embora xingue um nunca vi,
No fundo, está feliz por ti,
Ele é modesto.

Quando um provocador o faz
Perder a calma, ele jamais
Agredirá o cabra-da-peste.
Para ele, nunca é necessário
Humilhar tanto um adversário.
Ele é modesto.

Quando de um grande amor padece,
Não vás contando que o confesse,
A indiscrição, ele a detesta.
Para ele, é a mesma barafunda
Abrir a alma ou expor a bunda,
Ele é modesto.

Se, no enterro de um cretino
Amigo seu, sem desatino,
Ele, a sorrir, não manifesta
Nenhuma dor, não fiques puto,
No coração, está de luto,
Ele é modesto.

Se ele te trata de alemão
Quer tu venhas de Viamão
Ou Mossoró, não caias nesta.
Quando ele chama alguém de amigo,
Não quer saber se é novo ou antigo,
Ele é modesto.

Se tu não és mais criancinha,
Se sabes ler na entrelinha,
Ou entre os feitos, entre os gestos,
Verás que o cara não te enrola
E que no fundo esse gabola
É um modesto.

Submitted by Alvaro Almeida de Britto on Sun, 08/04/2012 - 15:07
Author's comments:

In the original, the author talks, in an ironical tone, about himself. This translation, I have tried to transplant his geografic and cultural references to mine.

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