La Talvera - Lo meu país (Portuguese translation)

Portuguese translation

O meu país

Se souberdes, o meu país
Não tem nome nem fronteira.
Estende-se dentro do verso
Duma doida epopeia!
 
Se encontra nos caminhos,
No sangue das pedras,
No quentor das uvas,
Na amareza da geada.
 
Se souberdes, o meu país
Disfarça-se entre a giestas,
Na flor que eclode,
No coração das bestas.
Na sombra que palideja,
No vento leste que nos deixa nus
Na brandura dum ninho
Ou a palpitação duma folha.
 
O meu país fica lá abaixo,
No meio duma rua
Onde dançam três crianças
Por uma jorna miserável.
Fica lá abaixo, no berro
Dum pobre erradio,
Que vaga, vencido,
Sem esperança de poder voltar.
 
O meu país fica no fundo
Duma prisão cheia de avantesmas,
Que têm, por seu só eco:
"Ou vais além, ou explodes".
 
O meu país está em toda parte
Onde há quem é privado de ser:
Sem papeis nem honra,
Sem lar ou sem terra...
 
Se souberdes, o meu país
Não tem nome nem fronteira.
Estende-se dentro do verso
Duma doida epopeia!
 
Se encontra nos pichocos,
Na fragosidade dum baldio,
Na farpa do perigo,
No prazer de fazer gazeta.
 
O meu país é aqui
Onde grela a cólera;
No punho que espalma
No lume, na lassidão.
Na onda que nos pega,
Na onda que nos arremessa...
Nos acenos do abisso,
Nas mãos do alvor...
 
Se souberdes, o meu país
Oculta-se nos recantos
Dessa hora que fuge
Mais sembra ser eternal.
Nas cores que desbotam,
Nos cheiros selvagens,
Na seiva da vida,
No medo do enchente...
 
Se souberdes, o meu país
Não tem nome nem fronteira.
Estende-se dentro do verso
Duma doida epopeia!
 
Lá onde o amor nasce,
Lá onde o amor desabrocha.
No nevoeiro dum devaneio,
O berço duma quimera...
Nas palavras duma criança,
No olhar duma mulher,
Onde o riso eleva-se,
Onde as mágoas se esvaem.
 
Se souberdes, o meu país
Não tem nome nem fronteira.
Estende-se dentro do verso
Duma doida epopeia!
 
Disfarça-se no fundo do rio,
Entre os segredos da grama;
Na alma das brasas,
Na maciez duma angra...
O meu país esplende
Com mil cantilenas
Que dança, na lonjura
Um povo de sereias!
 
Fita bem o meu país,
Pois não tem nem deus, nem dono:
É um cavalo que corre
Sem rédeas nem cabresto.
 
O meu país está em toda parte
Onda há uma só batalha.
É de preservar a fruição
Dum amanhã de folia.
Se souberdes que o meu país
Está a te esperar em toda parte:
Se ele existir, nalgur,
Seria a terra inteira...
 
Submitted by Metodius on Mon, 09/10/2017 - 16:23
Occitan

Lo meu país

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