Fernando Pessoa - Ogdr17 – No meu prato que mistura de Natureza (Italian translation)

Portuguese

Ogdr17 – No meu prato que mistura de Natureza

No meu prato que mistura de Natureza!
As minhas irmãs as plantas,
As companheiras das fontes, as santas
A quem ninguém reza...
 
E cortam-se e vêm à nossa mesa
E nos hotéis os hóspedes ruidosos,
Que chegam com correias tendo mantas
Pedem «Salada», descuidosos…,
Sem pensar que exigem à Terra-Mãe
A sua frescura e os seus filhos primeiros,
As primeiras verdes palavras que ela tem,
As primeiras coisas vivas e irisantes
Que Noé viu
Quando as águas desceram e o cimo dos montes
Verde e alagado surgiu
E no ar por onde a pomba apareceu
O arco-íris se esbateu...
 
Submitted by Guernes on Mon, 05/10/2015 - 17:29
Last edited by Guernes on Mon, 02/11/2015 - 11:59
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7-4-1914
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“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).
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- 44.

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Italian translation

Ogdr17 - Che mescolanza di Natura nel mio prato

Che mescolanza di Natura nel mio prato!
Le mie sorelle piante,
le compagne delle fonti, le sante
che nessuno prega...
 
Le tagliano, sono servite sulle nostre tavole,
e nelle locande gli avventori rumorosi
che arrivano con corde e coperte
chiedono, noncuranti, insalate...
Senza pensare che chiedono alla Madre Terra
la sua freschezza e i suoi primi figli,
le prime verdi parole che essa ha,
le prime cose vive e iridescenti
che Noè vide
quando le acque si abbassarono e la cima dei monti
verde e bagnata apparve
e nell’aria dove volò la colomba
si disegnò l’arcobaleno...
 
Submitted by Manuela Colombo on Wed, 09/08/2017 - 15:13
Last edited by Manuela Colombo on Thu, 10/08/2017 - 19:42
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Traduzione di Maria José de Lancastre, in "Fernando Pessoa, Una sola moltitudine” - vol. II, Adelphi, 1984

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