Fernando Pessoa - Ogdr20 - O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia (Italian translation)

Portuguese

Ogdr20 - O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
 
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
 
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
 
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
 
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
 
Submitted by Guernes on Fri, 18/09/2015 - 15:49
Last edited by Guernes on Mon, 02/11/2015 - 12:02
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7-3-1914
.
“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).
- 46.
.
“O Guardador de Rebanhos”. 1ª publ. in Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925.

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Italian translation

Ogdr20 - Il Tago è più bello del fiume che scorre nel mio villaggio

Il Tago è più bello del fiume che scorre nel mio villaggio,
ma il Tago non è più bello del fiume che scorre nel mio villaggio
perché il Tago non è il fiume che scorre nel mio villaggio.
 
Il Tago ha grandi navi
e in lui naviga ancora,
per coloro che dappertutto vedono quanto non vi è,
la memoria delle navi.
 
Il Tago scende dalla Spagna
e il Tago entra nel mare in Portogallo.
Tutti lo sanno.
Ma pochi sanno qual è il fiume del mio villaggio
e verso dove va
e da dove viene.
E per questo, perché appartiene a meno gente,
è più libero e più grande il fiume del mio villaggio.
 
Attraverso il Tago si va nel Mondo.
Oltre il Tago c’è l’America
e la fortuna di quelli che la trovano.
Nessuno ha mai pensato a quello che c’è
oltre il fiume del mio villaggio.
 
Il fiume del mio villaggio non fa pensare a niente.
Chi è vicino a lui è soltanto vicino a lui.
 
Submitted by Manuela Colombo on Wed, 09/08/2017 - 15:20
Last edited by Manuela Colombo on Thu, 10/08/2017 - 19:43
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Traduzione di Maria José de Lancastre, in "Fernando Pessoa, Una sola moltitudine” - vol. II, Adelphi, 1984

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