Fernando Pessoa - Ogdr32 – Ontem à tarde um homem das cidades (traduzione in Italiano)

Portoghese

Ogdr32 – Ontem à tarde um homem das cidades

Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.
 
E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que ele sentia, e a compaixão
Que ele dizia que sentia.
 
(Mas eu mal o estava ouvindo.
Que me importam a mim os homens
E o que sofrem ou supõem que sofrem?
Sejam como eu—não sofrerão.
Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros,
Quer para fazer bem, quer para fazer mal.
A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer mais é perder isto, e ser infeliz.)
 
Eu no que estava pensando
Quando o amigo de gente falava
(E isso me comoveu até às lágrimas),
Era em como o murmúrio longínquo dos chocalhos
A esse entardecer
Não parecia os sinos duma capela pequenina
A que fossem à missa as flores e os regatos
E as almas simples como a minha.
 
(Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com o florir e ir correndo.
É essa a única missão no Mundo,
Essa—existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso.)
 
E o homem calara-se, olhando o poente.
Mas que tem com o poente quem odeia e ama?
 
Postato da Guernes Dom, 11/10/2015 - 19:23
Ultima modifica Guernes Lun, 02/11/2015 - 12:14
Commenti dell’autore:

s.d.
.
“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).
.
- 56.
.
“O Guardador de Rebanhos”. 1ª publ. in Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925.

Allinea i paragrafi
traduzione in Italiano

Ogdr32 - Ieri sera un uomo di città

Ieri sera un uomo di città
parlava sulla porta della locanda.
Parlava anche con me.
Parlava della giustizia e della lotta perché ci sia giustizia
e degli operai che soffrono,
e del lavoro costante, e di quelli che hanno fame,
e dei ricchi, che a tutto ciò girano le spalle.
 
E, guardandomi, vide i miei occhi pieni di lacrime,
e sorrise compiaciuto, credendo che io sentissi
l’odio che egli sentiva, e la compassione
che diceva di sentire.
 
(Ma io lo ascoltavo appena.
Che me ne importa degli uomini
e di ciò che soffrono o credono di soffrire?
Siano come me: non soffriranno.
Tutto il male del mondo viene dal fatto che ci preoccupiamo gli uni degli altri,
sia per fare del bene, sia per fare del male.
La nostra anima e il cielo e la terra ci bastano.
Voler di più è perdere questo, ed essere infelice).
 
Quello a cui io pensavo
quando parlava l’amico degli uomini
(e ciò mi commosse fino alle lacrime),
era come il mormorio lontano dei campanacci
in quell’imbrunire
non sembrasse le campane di una piccola cappella
dove andassero a messa i fiori e i ruscelli
e le anime semplici come la mia.
 
(Lodato sia Dio perché non sono buono,
e ho l’egoismo naturale dei fiori
e dei fiumi che seguono il loro corso
inconsapevolmente preoccupati
soltanto del fiorire e dello scorrere.
Questa è l’unica missione nel Mondo,
questa: esistere chiaramente,
e saperlo fare senza pensarci).
 
E l’uomo ora taceva, guardando il tramonto.
Ma cos’ha a che fare col tramonto chi odia e ama?
 
Postato da Manuela Colombo Mer, 09/08/2017 - 19:16
Ultima modifica Manuela Colombo Gio, 10/08/2017 - 19:47
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Traduzione di Maria José de Lancastre, in "Fernando Pessoa, Una sola moltitudine” - vol. II, Adelphi, 1984

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