Luis Aranha - Poema Pitágoras ( Γαλλικά μετάφραση)

Πορτογαλικά

Poema Pitágoras

Depois de um quadro
Uma escultura
Depois de uma escultura
Um quadro
Antianatômico
Risco de vida numa tela morta
Extravagante
Quisera ser pintor!
Tenho em minha gaveta esboços de navios
Só consegui marinhas
Somos os primitivos de uma era nova
Egito arte sintética
Movimento
Exagero de linhas
Baixos relevos de Tebas e de Mênfis
Ir ao Egito
Como Pitágoras
Filósofo e geômetra
Astrônomo
Talvez achasse o teorema das hipotenusas e
       a tabela da multiplicação
Não lembro mais
Preciso ir à escola
O céu é um grande quadro-negro
Para crianças e para poetas
Circunferência
O círculo da lua
De Vênus traço junto a ela uma tangente luminosa
     que vai tocar algum planeta ignorado
Uma linha reta
Depois uma perpendicular
E outra reta
Uma secante
Um setor
Um segmento
Como a Terra que é redonda e a lua circunferência
  há de haver planetas poliedros planetas cônicos
            planetas ovóides
Correndo em paralelas não se encontram nunca
Trapézios de fogo
Astros descrevem no céu círculos elipses e parábolas
Os redondos encontram-se uns aos outros e giram como
          rodas dentadas de máquinas
Sou o centro
Ao redor de mim giram as estrelas e volteiam os celestes
Todos os mundos são balões de borracha coloridos
  que tenho presos por cordéis em minhas mãos
Tenho em minhas mãos o sistema planetário
E como as estrelas cadentes mudo de lugar frequentemente
A lua por auréola
Estou crucificado no Cruzeiro
No coração
O amor universal
Glóbulos de fogo
Há astros tetraedros hexaedros octaedros dodecaedros e icosaedros
Alguns globos de vidro fosco com luzes dentro
Há também cilindros
Os cônicos unem as pontas girando ao redor do eixo
       comum em sentido contrário
Prismas truncados prismas oblíquos e paralelepípedos luminosos
Os corpos celestes são imensos cristais de rocha
        coloridos girando em todos os sentido
A cabeleira de Berenice não é uma cabeleira
O Centauro não é centauro nem o Caranguejo
             caranguejo
Música colorida ressoando nos meus ouvidos de poeta
Orquestra fantástica
Timbales
Os címbalos da lua
Rufa as castanholas das estrelas!
Elas giram sempre
Furiosamente
Não há estrelas fixas
Os fusos fiam
A abóbada celeste é o barracão de zinco de uma fábrica imensa
E a lã das nuvens passa na engrenagem
Trepidações
Meu cérebro e coração pilhas elétricas
Arcos voltaicos
Estalos
Combinações de idéias e reações de sentimentos
O céu é uma vasta sala de química com retortas cadinhos tubos provetas e todos os
Vasos necessários
Quem me quitaria de acreditar que os astros são balões de vidros
Cheios de gases leves que fugiram pelas janelas dos laboratórios
Todos os químicos são idiotas
Não descobriram nem o elixir da longa vida nem a pedra filosofal
Só os pirotécnicos são inteligentes
São mais inteligentes do que os poetas pois encheram o céu de planetas novos
Multicores
Astros arrebentam como granadas
Os núcleos caem
Outros sobem da terra e têm uma vida efêmera
Asteróides asteriscos,
Rojões de lágrimas
Cometas se desfazem
Fim da existência
Outros encontram como demônios da idade média e feiticeiras de Sabbath
Fogos de antimônio fogos de Bengala
Eu também me desfarei em lágrimas coloridas no meu dia final
Meu coração vagará pelo céu estrela cadente ou bólido
Estrela inteligente estrela averroísta
Vertiginosamente
 
Enrolando-o na fileira da Via-Láctea
Joguei o pião da Terra
E ele ronca
O movimento perpétuo
Vejo tudo
Faixas de cores
Mares
Montanhas
Florestas
Numa velocidade prodigiosa
Todas as cores sobrepostas
Estou só
Tiritante
De pé sobre a crosta resfriada
Não há mais vegetação
Nem animais
Como os antigos creio que a Terra é o centro
A Terra é uma grande esponja que se embebe das tristezas
                do universo
Meu coração é uma esponja que absorve toda a tristeza da Terra
Bolhas de sabão!
 
Os telescópios apontam o céu
Canhões gigantes
De perto
Vejo a lua
Acidentes da crosta resfriada
O anel de Anaxágoras
O anel de Pitágoras
Vulcões extintos
Perto dela
Uma pirâmide fosforescente
Pirâmide do Egito que subiu ao céu
Hoje está incluída no sistema planetário
Luminosa
Com a rota determinada por todos os observatórios
Subiu quando a biblioteca de Alexandria era uma
      fogueira iluminando o mundo
Os crânios antigos estalam nos pergaminhos que se queimam
Pitágoras a viu ainda em terra
Viajou no Egito
Viu o rio Nilo os crocodilos os papiros e as embarcações de sândalo
Viu a esfinge os obeliscos a sala de Karnak e o boi Apis
Viu a lua dentro do tanque onde estava o rei Amenemat
Mas não viu a biblioteca de Alexandria nem as galeras de Cleopatra
     nem a dominação dos ingleses
Maspero acha múmias
E eu não vejo mais nada
As nuvens apagaram minha geometria celeste
No quadro negro
Não vejo mais a sua nem minha pirotécnica planetária
Uma grande pálpebra azul treme no céu e pisca
Corisco arisco risca no céu
o barômetro anuncia chuva
Todos os observatórios se comunicam pela telegrafia sem fio
Nem penso mais porque a escuridão da noite tempestuosa
               penetra em mim
Não posso matematizar o universo como os pitagóricos
Estou só
Tenho frio
Não posso escrever os versos áureos de Pitágoras!...
 
1922
 
Υποβλήθηκε από Guernes στις Κυρ, 14/01/2018 - 16:00
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Γαλλικά μετάφραση

Poème Pythagore

Après un tableau
Une sculpture
Après une sculpture
Un tableau
Antinomique
Danger de vie dans une toile morte
Extravagant
Je voudrais être peintre !
J’ai dans mes tiroirs des ébauches de navire
Seules achevées les marines
Nous sommes les primitifs d’une ère nouvelle
Égypte art synthétique
Mouvement
Outrance des lignes
Bas-reliefs de Thèbes et de Memphis
Aller en Égypte
Comme Pythagore
Philosophe et géomètre
Astronome
Peut-être y trouvât-il le théorème de l’hypoténuse et
          la table de multiplication
Je ne me souviens plus
Je vais devoir retourner à l’école
Le ciel est un grand tableau noir
Pour les enfants et les poètes
Circonférence
Le cercle de la lune
De Vénus s’appuyant sur elle je trace une tangente lumineuse
        qui va toucher quelque planète ignorée
Une ligne droite
Ensuite une perpendiculaire
Et une autre droite
Une sécante
Un secteur
Un segment
Comme la Terre qui est ronde et la lune à la circonférence
    Il doit y avoir des planètes polyèdres coniques
             des planètes ovoïdes
Circulant en parallèles ne se rencontrant jamais
Trapèzes de feu
Astres dans le ciel qui décrivent cercles ellipses et paraboles
Les arrondis se rencontrent les uns les autres et girent comme
            des roues dentées de machines
Je suis le centre
Autour de moi tournent les étoiles et les météores voltigent
Tous les mondes sont des ballons de baudruche colorés
    Que je retiens par des ficelles entre mes mains
Je tiens entre mes mains le système planétaire
Et comme les étoiles filantes je change fréquemment de lieu
La lune pour auréole
Je suis crucifié à la Croix du Sud
Dans le cœur
L’amour universel
Globules de feu
Il y a des astres tétraèdres octaèdres dodécaèdres et icosaèdres
Quelques globes de verre mat avec lumière au-dedans
Il y a aussi des cylindres
Les coniques unissent leurs pointes et tournent en sens contraire
            autour de l’axe commun
Prismes tronqués prismes obliques et parallélépipèdes lumineux
Les corps célestes sont d’immenses cristaux de roche
            colorés tournant en tous sens
La chevelure de Bérénice n’est pas une chevelure
Le Centaure n’est pas un centaure ni le Cancer
              le « crabe »
Musique coloré qui résonne dans mes oreilles de poète
Orchestre fantastique
Timbales
Les cymbales de la lune
Raffut, les castagnettes des étoiles !
Toujours elles tournent
Furieusement
Il n’y a pas d’étoiles fixes
Les fuseaux filent
La voûte céleste est un baraquement de zinc d’une fabrique immense
Et la laine des nuages passe dans l’engrenage
Trépidations
Mon cerveau mon cœur piles électriques
Arcs voltaïques
Claques
Combinaison d’idées et réactions de sentiments
Le ciel est une vaste salle de chimie avec cornues creusets tubes éprouvettes et toute
La verrerie nécessaire
Qui pourrait m’empêcher de croire que les astres sont des ballons de verre
Remplis de gaz légers qui fuient par les fenêtres des laboratoires
Toutes les chimies sont idiotes
Elles ne découvriront ni l’élixir de longue vie ni la pierre philosophale
Seules les pyrotechnies sont intelligentes
Sont plus intelligentes de ce que les poètes ont pu mettre comme planètes nouvelles
Multicolores
Les astres éclatent comme des grenades
Les noyaux tombent
D’autres qui sortent de la terre ont une vie éphémère
Astéroïdes astérisques
Fusées de larmes
Comètes qui s’effondrent
Fin de l’existence
D’autres ressemblent à des démons d’âge moyen des socières de Sabbath
Feux d’antimoine feux de Bengale
Moi aussi je vais fondre en larmes sur mon dernier jour
Mon cœur s’en ira vers le ciel étoile filante ou de météorite
Étoile intelligente étoile averroïste
Vertigineusement
 
Enroule-le dans les filaments de la Voie-Lactée
J’ai joué avec la toupie de la Terre
Et ronfle
Le mouvement perpétuel
Je vois tout
Plages de couleur
Mers
Montagnes
Forêts
D’une célérité prodigieuse
Toutes couleurs superposées
Je suis seul
Grelottant
Debout sur la croûte refroidie
Sans plus de végétation
Ni d’animaux
Comme les anciens, je crois que la Terre est le centre
La Terre est une grande éponge imbibée des tristesses
               de l’univers
Mon cœur est une éponge qui absorbe toute la tristesse de la Terre
Bulles de savon !
 
Les télescopes pointent vers le ciel
Canons géants
Je vois la lune
Plus près
Accidents de la croûte refroidie
L’anneau d’Anaxagore
L’anneau de Pythagore
Volcans éteints
À proximité
Une pyramide phosphorescente
Pyramide de l’Égypte qui montait vers le ciel
Aujourd’hui incluse dans le système planétaire
Lumineuse
Avec une ligne déterminée pour tous les observatoires
Qui montait quand la bibliothèque d’Alexandrie était une
            feu illuminant le monde
Les crânes antiques craquellent sur les parchemins qui se consument
Pythagore la vue encor sur terre
Il a voyagé en Egypte
Il a vu le fleuve le Nil ses crocodiles ses papyrus et ses barques de santal
Il a vu la sphynge les obélisques le temple de Karnak et le taureau Api
Il a vu la lune à l’intérieur du caveau où était le roi Amenemhat
Mais il n’a pas vu la bibliothèque d’Alexandrie ni les galères de Cléopâtre
       ni la domination des anglais
Maspero invente les momies
Et je ne vois plus rien
Les nuages ont effacés ma géométrie céleste
Au tableau noir
Je ne vois plus la sienne ni ma pyrotechnie planétaire
Une grande paupière bleue tremble dans le ciel et cligne
Éclair rétif rayant le ciel
Le baromètre annonce la pluie
Tous les observatoires communiquent par télégraphie sans fil
Je ne pense plus parce que l’obscurité de la nuit orageuse
                pénètre en moi
Je ne sais pas mathématiser l’univers comme les pythagoriciens
Je suis seul
J’ai froid
Je ne saurais écrire les vers dorés de Pythagore !...
 
1922
 
Tous droits réservés © Christian Guernes (pour les traductions en français, sauf indication contraire ; lien vers le source, etc.)
Υποβλήθηκε από Guernes στις Κυρ, 14/01/2018 - 16:03
Luis Aranha: Κορυφαία 3
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