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Manuel Bandeira - Vou-me embora pra Pasárgada

  • Artist: Manuel Bandeira
  • Song: Vou-me embora pra Pasárgada
  • Featuring artist: Paulo Diniz
  • Album: In Libertinagem (1930)
  • Translations: French, Italian
Portuguese
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Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
 
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo incosenqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
 
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei um burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
 
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’agua
Pra me contar as histórias
Que no tempo de seu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
 
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
 
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
 
Thanks!
Submitted by Manuela ColomboManuela Colombo on Tue, 30/06/2020 - 19:36

 

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Translations of "Vou-me embora pra ..."
Manuel Bandeira: Top 3
Comments
Manuela ColomboManuela Colombo    Tue, 30/06/2020 - 20:47

Credo che Paulo Diniz abbia semplicemente musicato la poesia di Manuel Bandeira.

É lo stesso Bandeira che spiega:

“Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação em toda minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. [...] Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias [...]. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!”. Senti na redondilha a primeira célula de um poema [...].

GuernesGuernes    Tue, 30/06/2020 - 21:04

Artiste invité : Paulo Diniz, non ?

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