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Protesto (English translation)

  • Artist: Carlos de Assumpção
  • Song: Protesto
Portuguese
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Protesto

Mesmo que voltem as costas
Às minhas palavras de fogo
Não pararei de gritar
Não pararei
Não pararei de gritar
 
Senhores
Eu fui enviado ao mundo
Para protestar
Mentiras ouropéis nada
Nada me fará calar
 
Senhores
Atrás do muro da noite
Sem que ninguém o perceba
Muitos dos meus ancestrais
Já mortos há muito tempo
Reúnem-se em minha casa
E nos pomos a conversar
Sobre coisas amargas
Sobre grilhões e correntes
Que no passado eram visíveis
Sobre grilhões e correntes
Que no presente são invisíveis
Invisíveis mas existentes
Nos braços no pensamento
Nos passos nos sonhos na vida
De cada um dos que vivem
Juntos comigo enjeitados da Pátria
 
Senhores
O sangue dos meus avós
Que corre nas minhas veias
São gritos de rebeldia
 
Um dia talvez alguém perguntará
Comovido ante meu sofrimento
Quem é que esta gritando
Quem é que lamenta assim
Quem é
 
E eu responderei
Sou eu irmão
Irmão tu me desconheces
Sou eu aquele que se tornara
Vitima dos homens
Sou eu aquele que sendo homem
Foi vendido pelos homens
Em leilões em praça pública
Que foi vendido ou trocado
Como instrumento qualquer
Sou eu aquele que plantara
Os canaviais e cafezais
E os regou com suor e sangue
Aquele que sustentou
Sobre os ombros negros e fortes
O progresso do País
O que sofrera mil torturas
O que chorara inutilmente
O que dera tudo o que tinha
E hoje em dia não tem nada
Mas hoje grito não é
Pelo que já se passou
Que se passou é passado
Meu coração já perdoou
Hoje grito meu irmão
É porque depois de tudo
A justiça não chegou
 
Sou eu quem grita sou eu
O enganado no passado
Preterido no presente
Sou eu quem grita sou eu
Sou eu meu irmão aquele
Que viveu na prisão
Que trabalhou na prisão
Que sofreu na prisão
Para que fosse construído
O alicerce da nação
O alicerce da nação
Tem as pedras dos meus braços
Tem a cal das minhas lágrima
Por isso a nação é triste
É muito grande mas triste
É entre tanta gente triste
Irmão sou eu o mais triste
 
A minha história é contada
Com tintas de amargura
Um dia sob ovações e rosas de alegria
Jogaram-me de repente
Da prisão em que me achava
Para uma prisão mais ampla
Foi um cavalo de Tróia
A liberdade que me deram
Havia serpentes futuras
Sob o manto do entusiasmo
Um dia jogaram-me de repente
Como bagaços de cana
Como palhas de café
Como coisa imprestável
Que não servia mais pra nada
Um dia jogaram-me de repente
Nas sarjetas da rua do desamparo
Sob ovações e rosas de alegria
 
Sempre sonhara com a liberdade
Mas a liberdade que me deram
Foi mais ilusão que liberdade
 
Irmão sou eu quem grita
Eu tenho fortes razões
Irmão sou eu quem grita
Tenho mais necessidade
De gritar que de respirar
Mas irmão fica sabendo
Piedade não é o que eu quero
Piedade não me interessa
Os fracos pedem piedade
Eu quero coisa melhor
Eu não quero mais viver
No porão da sociedade
Não quero ser marginal
Quero entrar em toda parte
Quero ser bem recebido
Basta de humilhações
Minh’alma já está cansada
Eu quero o sol que é de todos
Ou alcanço tudo o que eu quero
Ou gritarei a noite inteira
Como gritam os vulcões
Como gritam os vendavais
Como grita o mar
E nem a morte terá força
Para me fazer calar.
 
Submitted by malucamaluca on Tue, 18/02/2020 - 02:41
English translationEnglish
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Protest

Even if they turn their backs
To my words of fire
I won't stop shouting
I won't stop
I won't stop shouting
 
Gentlemen
I was sent to this world
To protest
Lies, Europeans and their gold, nothing
Nothing will silence me
 
Gentlemen
Behind the wall of the night
Without anybody noticing
Many of my ancestors
Who are long gone
Meet up in my house
And we start talking
About bitter things
About shackles and chains
That were visible in the past
About shackles and chains
That are invisible in the present
Invisible but they exist
In the arms of thought
In the steps, the dreams in the lives
Of each one of those who live
With me, discarded by the motherland
 
Gentlemen
The blood of my grandparents
That runs in my veins
It's shouts of rebellion
 
One day someone might ask
Feeling moved by my suffering
Who's the one shouting
Who's the one weeping like that
Who is it?
 
And I will answer
It's me, brother
Brother, you don't know me
I am the one who had become
The victim of men
I am the one that being a man
Was sold by men
In public auctions on city squares
Who was sold or traded
Like a mere object
I am the one who had planted
The cotton fields and the coffee fields
And watered them with water and blood
The one who carried
The future of the country
On strong black shoulders
The one who suffered a thousand tortures
The one who cried in vain
The one who gave all that he had
And now has nothing
But nowadays I shout
Not for what has already happened
What happened is in the past
My heart has already forgiven it
Nowadays I shout, brother
I shout because after everything
Justice never came
 
The one who shouts is me
The one fooled in the past
Deprecated in the present
I am the one who shouts, I am
It's me, brother, the one
Who lived in prison
Who worked in prison
Who suffered in prison
So that the the foundation of this nation
Could be built
The foundation of this nation
Is made of the stones from my arms
It's made from my cemented tears
This is why the nation is sad
It's very big but sad
And among all those sad people
Brother, I am the saddest
 
My story is told
With tints of bitterness
One day, with cheers and roses of joy
I was suddenly thrown
From the prison I found myself in
Into a broader prison
The freedom that they gave me
Was a Trojan horse
There were future snakes
Under the veil of enthusiasm
One day they just suddenly threw me
Like pieces of cotton
Like coffee beans
Like a useless thing
That couldn't serve a purpose anymore
One day they just suddenly threw me
In the gutters of a street of helplessness
With cheers and roses of joy
 
I'd always dreamed of freedom
But the freedom that they gave me
Was more of an illusion than freedom
 
Brother, I am the one who shouts
I have strong reasons to
Brother, I am the one who shouts
I have a bigger need
To shout than to breathe
But brother, please understand
That what I want is not pity
I am not interested in pity
The weak beg for pity
I want something better
I don't want to live
In the basement of society anymore
I don't want to be marginalized
I want to be able to walk in anywhere
I want to be greeted well
Enough humiliation
My soul is already tired
I want the sun that belongs to everybody
I'll either reach everything I want
Or I'll shout all night
As volcanoes shout
As gushes of wind shout
As the sea shouts
And not even death will be strong enough
To silence me.
 
Thanks!
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Feel free to distribute my translations (please include credits) or to request a translation. I have lots of experience with various forms of media and would be glad to help!

Sinta-se à vontade para distribuir minhas traduções (incluindo créditos) ou solicitar uma tradução. Tenho muita experiência com diversas formas de mídia e fico feliz em ajudar!
Submitted by Fernanda MeirellesFernanda Meirelles on Mon, 06/07/2020 - 11:43
Added in reply to request by malucamaluca
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