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António Ramos Rosa - Origem

  • Artiste: António Ramos Rosa
  • Album: O poeta na rua (2005)
  • Traductions : français, italien
portugais
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Origem

É preciso queimar os livros e calarmo-nos
Esta é a matéria bárbara a matéria viscosa
Aqui a vida conduz a uma ruptura
a mão procura a suavidade firme
tacteia e segue as suas linhas de força as primícias de um acorde
 
Fascinante ameaça
veneno que oculta vida nova
uma seiva já
um sabor dos gestos que tremem e que sabem
 
A palavra mais viva é a mais inesperada é a palavra nua
 
Eis o domínio interdito e obscuro
impenetrável
balbuciante memória do que não é a memória
luz que irriga as coisas em vez de as iluminar
sinal de uma madrugada de uma irradiação múltipla
Aqui começará o meu ritmo a minha melodia
Respiro já pela garganta do poema
 
Deixamos a segurança e a certeza
ante o arco da única pergunta
Somos a ruptura e o fluxo na falha
e subimos talvez para
a vertente de um silêncio que ascende constelado
 
Subversiva é a respiração desta palavra
surpresa de um ritmo e de um espaço
numa terra sem caminho
 
É um fogo líquido que abrasa este trajecto
Uma fé muscular uma fé lúcida
faz latir estas palavras subterrâneas
 
Para chegar às palavras que dão vida
por um desenlace uma inconfessável evidência
Uma plenitude? Uma luz? Uma pobreza?
Numa terra queimada as crianças que brincam na poeira
Eis a poesia do efémero a fluidez vivaz
Pára detém-te junto deste muro arruinado
perto de uma pedra Palpa o grão de luz
segregada Toca nessa crepitação porosa
Modela na origem a matéria dos sinais
 
Escreve mas para dissipar o que está escrito
 
Publié par GuernesGuernes le Mar, 17/09/2019 - 20:31
Dernière modification par GuernesGuernes le Dim, 22/09/2019 - 17:38
Merci !

 

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