Desesperança (traduction en anglais)

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portugais

Desesperança

Eu queria ter os lábios sábios
E poder saber dizer palavras belas
E como um pintor achar, prender as cores
Entre flores luminosas, amarelas
 
Eu queria ser só ritmo e som
Ouvir a clara, lúdica música das esferas
E matar os medos na raiz
E feliz cantar rondós1 sem dor
Depois de ter domado as feras
 
Eu queria poder rir e celebrar o amor
Beber, brindar à vida
Esquecer a funda ferida
Só por um segundo
Crer que enfim o mundo
É um lugar gentil
Pros meus, pros seus
Eu queria que Deus acordasse
Do seu sono profundo
 
Ó, tarde dos meus dias!
Ó, noite da minha alma!
A vida era tão calma
Aqui na solidão!
Ó, tarde dos meus dias!
Ó, noite da minha alma!
A vida era tão calma
Em paz na solidão!
 
Eu queria que o amor
Significasse mais que amor
Somente uma palavra bela
Que vaga ao relento
Nos sonetos, guetos da poesia, romances na tela
 
Ser afeito ao afeto, farto, forte, franco
Repleto de emoções sinceramente sentidas
Viver todas as vidas com a intensidade
De mil corações
 
Para além deste comércio infecto
De tatos, gostos e olfatos
Esse teatro pífio, ímpio, falho, tosco, triste
Queria gritar o grito que existe
Silenciado na garganta
 
Enquanto a alma canta
Por todo gesto gasto e terno
Que quer o eterno éden
Neste inferno idem
Tola vida em suma, vida uma
Coisa alguma sem nenhuma
Mínima chance de redenção
 
Ó, tarde dos meus dias!
Ó, noite da minha alma!
A vida era tão calma
Aqui na solidão!
Ó, tarde dos meus dias!
Ó, noite da minha alma!
A vida era tão calma
Em paz na solidão!
Na solidão...
 
Ó, tarde dos meus dias!
Ó, noite da minha alma!
A vida era tão calma
Aqui na solidão!
Ó, tarde dos meus dias!
Ó, noite da minha alma!
A vida era tão calma
Em paz
Na solidão...
 
  • 1. O rondó é uma forma fixa de poesia, criada na França, e de composição musical seccionada, estruturada a partir de um tema principal e vários temas secundários, sempre intercalados pela repetição do tema principal.
Publié par Alma Barroca le Dim, 13/05/2018 - 22:47
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traduction en anglais

Despair

I wish I had wise lips
And knew how to say pretty words
And, like a painter, find and take the colors
Amidst luminous flowers, yellow
 
I wish I only were rhythm and sound
Hear the clear, ludic music of spheres
And nip the evils in the bud
And, happy, sing rondeaux, not feeling any pain
After having tamed the beasts
 
I wish I could laugh and celebrate love
Drink and make a toast to life
Forget about the deep wound
Just for a second
And believe that the world has finally
Become a gentle place
For yours, for mine
I wish God woke up
From his deep sleep
 
O, afternoon of my days!
O, evening of my soul!
Life was so calm
In this loneliness!
O, afternoon of my days!
O, evening of my soul!
Life was so calm
In peace in loneliness!
 
I wish love
Meant more than just love
Just a pretty word
That roams out in the open
In the sonnets, poetry ghettos, romances on the screen
 
Be used to affection, tired, strong, franc
Full of emotions that are sincerely felt
Live all lives with the intensity
Of a thousand hearts
 
Beyond this infected commerce
Of touches, tastes and smells
This despicable theater, impious, faulty, rough, sad
I wish I could scream the scream that is
Silent in my throat
 
As my soul sings
For every spent and tender gesture
That craves for an eternal Eden
In this idem hello
Summing up, a foolish life, any life
Anything without the least
Minimal chance of redemption
 
O, afternoon of my days!
O, evening of my soul!
Life was so calm
In this loneliness!
O, afternoon of my days!
O, evening of my soul!
Life was so calm
In peace in loneliness!
In loneliness...
 
O, afternoon of my days!
O, evening of my soul!
Life was so calm
In this loneliness!
O, afternoon of my days!
O, evening of my soul!
Life was so calm
In peace
In loneliness...
 
Translation done by Alma Barroca. In case you want to reprint it, please ask for permission first and always cite my name as its author. /
Tradução feita por Alma Barroca. Caso você queira reutilizá-la, por favor peça por permissão antes e sempre cite meu nome como o do autor.
Publié par Alma Barroca le Dim, 13/05/2018 - 22:47
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