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Ferreira Gullar - Não há vagas

Португальский
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Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
 
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
 
- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
 
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
 
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
 
Спасибо!
поблагодарили 1 раз
Добавлено Manuela ColomboManuela Colombo в вс, 21/05/2017 - 19:43
В последний раз исправлено Manuela ColomboManuela Colombo в пт, 14/02/2020 - 17:34

 

Ferreira Gullar: Топ 3
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