Ana Cristina Cesar - Fagulha

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Fagulha

Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
 
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando
 
Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
 
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
 
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
 
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio
 
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las
 
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
 
Поставио/ла: Manuela Colombo У: Среда, 13/06/2018 - 19:57
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